A proteção social brasileira avançou para além do emprego formal, mas continua condicionada pela desigualdade, pela informalidade, pelo território, pelo trabalho de cuidado e pela capacidade do Estado
Dois trabalhadores saem de casa no mesmo horário, na mesma cidade, e voltam com rendimentos parecidos. Um tem carteira assinada e contribui para a previdência. Sabe o que acontece se adoecer na semana seguinte. O outro entrega comida, faz faxina por diária ou vende na rua, e descobre que uma gripe de sete dias consome o orçamento de um mês inteiro. A diferença entre os dois não está no esforço nem no valor que aparece no extrato bancário. Está na posição que cada um ocupa diante do Estado. A história da proteção social brasileira é a história dessa fronteira móvel, que separa quem é reconhecido como portador de direitos de quem permanece entregue à família, à caridade ou à sorte. Essa fronteira, e não o volume do gasto público, é o objeto real da disputa contemporânea.
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