Se o Twitter vencer o Nitter, isso pode criar um precente preocupante
Me passou pela cabeça agora, caso o #Nitter seja vencido, outras empresas cujos usuários criaram #frontends alternativas podem ir atrás de derrubar tais projetos pelo #precedente que o Twitter criou.
Também há algo suspeito para mim, o timing dessas empresas, que conforme as leis de monitoramento ganharam tração repentina por volta de outubro a dezembro do ano passado, elas já pareciam ter todos os mecanismos necessários para aplicar as demandas dessas leis. Nessas curiosas coincidências, não me estranharia também se mais empresas estivessem com o dedo coçando para mandar cartinhas de Cease & Desist, só esperando o resultado do caso do Nitter.
E até teria uma discussão a ser feita em países como o Brasil onde tem-se na constituição "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato". Mas a forma açodada que se deu e ainda se dá me faz pensar também que essas leis, inclusive pelo menos uma federal introduzida no Brasil nesse meio tempo, não vêm com as intenções mais legítimas. Partindo disso, e considerando também que muitas dessas frontends "desmerdificam" as que chamo de "plataformas de 2010"¹, como tirando ruído visual e adicionando RSS, me faz ponderar também se não é de interesse de tais plataformas terem como opção apenas a pior delas, vulgo a padrão.
¹plataformas com design viciante e que fazem perder a noção de quanto está consumindo, e que surgem, ganham tais designs ou tal tração na década de 2010
Era uma ideia que estava quicando na mente, então espero ter conseguido sintetizar ela.
3 Comments
dsilverz@catodon.rocks · 1 pts · 21d
Por um lado, eu sou da linha mais "radical" de que o Xuíter, assim como plataformas de corporações Estrago-unidenses (Google e seu YouTube, Meta e o quarteto Facebook-Instagram-WhatsApp-Threads, Oracle e seu TikTok ocidentalizado, entre tantos outros) têm como única serventia o boicote total e irrestrito, sem nem mesmo o uso de meios alternativos para dar-lhes IBOPE.
O Xuíter principalmente, já que se tornou comprovadamente um Bar do Adolfo (o dono do Xuíter sendo literalmente um Adolfo; já notaram como o símbolo do X é meio caminho andado para outro símbolo que parece uma hélice?) e daí tem aquele ditado originalmente anglófono: "Se, em uma mesa de bar, há uma pessoa rodeada de dez nazistas e a pessoa não se levanta da mesa, então há onze nazistas". Espiar a mesa de fora do bar (exemplo, através do Xcancel ou Nitter) não é tão diferente de não levantar da mesa. É resultado do tal do paradoxo da intolerância.
Não só falo, pratico: excluí minha conta quando a plataforma ainda se chamava "Twitter", pouco depois da Varsóvia digital passar a estar sob nova direção. Cheguei a usar o Nitter em duas ou três ocasiões, pra nunca mais, principalmente depois daquele infame gesto feito por Adolfo Mosca. O mesmo fiz e faço com o YouTube, onde eu costumava produzir conteúdo até o momento em que a crescente merdificação me fez dizer "basta" e excluir anos de vídeos e, em dado momento, parar de usar Invidious e similares porque eram formas indiretas de sinalizar ao Google "ei, Pichai, a merdificação que vocês estão fazendo vale a pena, continuem a boa merdificação".
Sim, isso limita e muito a quantidade de conteúdo que tenho acesso. Sim, minha existência ficou mais chata (espaço para o meme "always have been"). Mas antes eu ceder a (falsa sensação de) comodidade do que eu ceder meus valores. Há todo um universo de conteúdo fora das grandes plataformas, espacialmente na chamada "Teia profunda" (Deep Web, que não necessariamente tem a ver com Tor/Onion como dita a generalização popular... por exemplo, o próprio Fediverso pode ser chamado de Deep Web, porque muito do conteúdo aqui postado não está indexado pelos motores de busca), e é esse universo de conteúdo que busco acessar.
Por outro lado... eu meio que entendo a necessidade de acessar o "lado de lá" (como um Alan Turing usando o Bombe pra decodificar as comunicações do Enigma), a fim de conferir a veracidade de uma captura de tela de um "tweet" ou... (pausa e inspiração profunda pra eu não vomitar)... "truths" do "Truth Social". Talvez o pessoal usasse o Nitter e Xcancel mais nesse propósito do que o de "apreciar" o Bar do Adolfo à distância. Mas o que havia pra ser "verificado" lá que já não fosse de conhecimento público, como os planos cristonazifascistas do grupelho que tenta implementar um quarto reich inspirados nas profecias de Cassandra presentes em obras como Terminator, Idiocracy, Mad Max, 1984, Black Mirror e Don't Look Up?
Em todo caso, faço um adendo: há em andamento uma tentativa de consolidar mais ainda poder nas redes mainstream. Hoje mesmo, a plataforma antifascista de hospedagem (emails, blogs, etc) noblogs.org, oferecida pelo grupo Autistici/Inventati, teve os domínios revocados após o lixo laranja "declarar" o grupo Autistici/Inventati como "organização terrorista". O Luanti, um motor e jogo de código aberto de voxels em mundo aberto (similar, mas não igual, ao Minecraft) foi novamente derrubado por alegações de violação de Copyright (DMCA) por (não ironicamente) um algoritmo (IA) que foi treinado em dados raspados da web (portanto, o robô que derrubou o Luanti por alucinar uma violação de Copyright só existe através de reais violações de Copyright, mas como é um robô da Google, né...).
Há, portanto, uma guerra em andamento, e usar Xuíter, YouTube e qualquer outra plataforma de corporações Estrago-unidenses (e isso inclui o Cloudflare que a galera tem usado pra tentar barrar os clankers, quando o próprio Cloudflare tem uma rede de clankers própria, portanto quando um website usa Cloudflare para combater IA está, na prática, alimentando outra IA e deixando Matthew Prince mais rico do que já é como o sujeito mais rico de todo o estado Estrago-unidense de Utah) é como usar produtos e serviços da IBM na década de 30, com o dinheiro (ou o poder/dados sendo cedidos) indo pra financiar o projeto de poder que inspira o grupo contemporâneo sendo financiado e apoiado por Musk, Bezos, Zuckerberg, Sergey Brin e Larry Page, Pichai e demais plutocratas.
!tecnologia@lemmy.eco.br
nossaquesapao@lemmy.eco.br · 1 pts · 21d
Sinceramente, em termos estratégicos, não vejo razão pra essas empresas se importarem com essas frontends alternativas, pois a taxa de uso deve ser muito pequena e se elas forem banidas, talvez forcem mais pessoas a abandonar as grandes plataformas, o que no fim das contas, seria bom (não para as empresas). Mas não se pode esperar lógica de grandes executivos, não é?
Auster@thebrainbin.org · 2 pts · 21d
@nossaquesapao@lemmy.eco.br uma possibilidade que penso é que a qualidade das plataformas de 2010 está tão consistentemente ruim que até os mais passivos estão incomodados. Daí estas plataformas buscariam "cortar o bem pela raiz".
Outra possibilidade é que as plataformas estão pressionadas, e nisso precisam expor os problemas ao ponto que até o cidadão médio perceberia, abrindo caminho para serem encontradas soluções aceitas ambos legalmente, politicamente e socialmente, e com as empresas dessas plataformas que podem ter sido muito bem partícipes tendo como contrapartida não sofrerem sanções maiores ainda, como acusações criminais mais graves do que já estão sofrendo.
E uma terceria possibilidade que acabou de me passar pela cabeça, a húbris que precede a queda, achando que podem qualquer coisa porque até pouco tempo atrás, podiam.