Testes no Amiga Forever me fazendo ponderar sobre o estado da tecnologia
Precisava de uns arquivos que vêm no pacote então nem fui muito a fundo nos testes, mas do que pude observar, o instalador e o próprio programa dão muito uma impressão de software de 2005, como se a #tecnologia regredisse uns 20 anos.
Mas entenda porque isso é bom.
Ironia a parte, peak 2005 designs como esses abaixo, básicos, crus, direto ao ponto e funcionais, me fazem olhar para outros softwares modernos ou ainda mantidos hoje em dia, e então pensar, "era feliz e não sabia":
(Segunda imagem meio bagunçada porque tinha duas sessões de emulação distintas rodando, uma no desktop do Amiga e outra rodando direto o jogo)
Inclusive nem birra por estar rodando em máquina virtual teve. Algo que ainda que não veja muito, já vi um caso ou outro e tendo uma ideia do porquê, vejo como uma etapa bem provável no avanço da tomada o controle contra os usuários.
E pior que tem programas em CD que ainda uso, alguns possivelmente mais velhos do que eu mas ainda úteis ou que tenham alguma forma de proveito, então a memória para comparar é fresca.
Programas como os dicionários da Michaelis, jogos da época do Win95 ao Vista, alguns outros programas legados vendidos de forma digital que já achei, o próprio MS Office 2010... Até o próprio Vista eu acho muito melhor do que os seus sucessores (tirando o Win7 que segue a mesma linha do Vista).
Queria que mais programas fossem "ruins" assim. 🥲
8 Comments
nossaquesapao@lemmy.eco.br · 4 pts · 15d
Penso muito nisso e não consigo não pensar em como há algo de muito errado em toda nossa tecnologia relacionada a software. Se a gente parar pra pensar, o que as pessoas faziam 20 ou 30 anos atrás com seus computadores? Digitavam textos, planilihas, acessavam a internet, conversavam, viam vídeos, imagens, ouviam música, etc. Hoje, qualquer computador baratinho com celeron ou qualquer celular antigo com tela rachada tem capacidade computacional dezenas ou até centenas de vezes maior do que aqueles equipamentos. E o que fazemos com toda essa capacidade? Fazemos as mesmas coisas! Claro que tem a questão do aumento de resolução de mídia e afins, mas só isso não justifica. Nós desperdiçamos nossa capacidade de hardware com software ruim, anúncios e invasões à privacidade.
E ainda tem a questão da obsolescência absurda de software, apis, bibliotecas, etc. Enquanto qualquer equipamento antigo pode continuar funcionando com a devida manutenção (equipamento industrial, por exemplo, dura muitas décadas em atividade plena), software de meros 15 anos atrás não funciona em sistemas modernos por questões de incompatibilidade. Daí ficamos reescrevendo nossos softwares o tempo todo meramente para mantê-los compatíveis. Apps pra celular são piores ainda, a gente tem que ficar fazendo atualização cada vez que a bosta da google muda a api do android. Todo esse tempo e energia poderiam ser gastos para criar coisas novas ou melhorar as existentes, mas não, gastamos rescrevendo as mesmas coisas de novo, e de novo e de novo...
Auster@thebrainbin.org · 2 pts · 15d
@nossaquesapao@lemmy.eco.br a primeira metade do seu comentário em especial me faz lembrar de um recorte que me deparei do Kurzgesagt uma vez, que ainda que não tenha visto o vídeo original, já me diz muito. O recorte mostra um cientista observando uma parede com arte rupestre e ponderando, "não evoluímos nada".
Arte em pixel de programas de PC-98, uma máquina de 40 anos atrás, envelheceu como vinho. As pesquisas de hardware da Steam mostram um grande número de usuários ainda em 1080p que eu lembro. CD e DVD ainda são tecnologias relevantes a considerar a morte de serviços de streaming ou de seus catálogos, além de a reação do público à decisão recente da Sony. RSS nunca foi embora. Pessoas hoje em dia mais em celulares não precisam de uma imagem híper mega ultra 4K em alta definição & Knuckles. De experiência própria, mapa físico ainda é tão útol quanto GPS. E pode ser que eu esteja esquecendo de muita coisa ainda.
Sobre obsolecência, um medo constante que tenho é que os softwares parem de funcionar com as formas que ainda se acham para eles. Alguns que tenho eu consigo apontar nominalmente e porque que são muito difíceis de fazer rodar mesmo com emulador ou máquina virtual, isso sem falar nos emuladores e principalmente máquinas virtuais dependerem de hardware que pode não existir mais amanhã, além da questão de bibliotecas já mencionada. Considero até a emular emuladores para que tais softwares continuem funcionais, como já fiz mas com muita gambiarra. Mas me preocupa que algum dia, as opções se esgotem, o que me faz ponderar também, quantos softwares deveras já não têm mais opções.
nossaquesapao@lemmy.eco.br · 1 pts · 14d
E cada vez mais pessoas vão percebendo que não há nada de errado com coisas "antigas". A indústria tenta nos condicionar a uma perspectiva consumista da tecnologia, em que os novos produtos precisam DESTRUIR as coisas existentes e substituir tudo, mas na verdade, as coisas podem muito bem coexistir, e as coisas antigs podem até mesmo serem melhoradas com o tempo. Aliás, essa era pra ser uma das funções do software, permitir que o hardware seja atualizado pra se manter compatível com novos padrões e receber novas funcionlidades, mas acabou virando mais uma forma de obsolescência, que torna as coisas obsoletas mais rapidamente do que a própria deterioração do hardware!
Um conjunto de tecnologias que admiro muito é o padrão ethernet e as pilhas de protocolos abertos de rede. São das décadas de 70 e 80, mas são muito robustos e foram desenvolvidos pensando na longevidade. Podemos conectar um equipamento de rede bem antigos em equipamentos modernos e eles vã comunicar normalmente. Os padrões modernos trazem mais velocidade, mas ela é negociada de acordo com o dispositivo mais lento das duas pontas, mantendo a compatibilidade. Meu sonho é que toda nossa tecnologia fosse feita dessa forma, com essa robustez e longevidade, sem obsoletar as coisas que já existem
É um risco bem real... já pensou em participar de/criar iniciativas de arquivamento ou preservação?
Auster@thebrainbin.org · 2 pts · 14d
@nossaquesapao@lemmy.eco.br
Código em C que me vem à mente, e que o pessoal do Rust quer porque quer apagar o que existir em C para substituir por sua própria versão em Rust.
Já e até tento nos limites de tempo, foco (autismo ftw), recursos e legalidade. Mas geralmente acabo focando em informar sobre ROMs de jogos distribuídas de forma comercial que encontro, seja em !roms@lemmy.dbzer0.com, numa publicação do fórum do RetroPie, e em alguns outros fóruns esporádicos, ou também formas de a pessoa fazer backup de suas próprias mídias. Mas se tiver mais sugestões, sou todo ouvidos.
BahYaje@ursal.zone · 1 pts · 7d
@nossaquesapao @Auster que texto bonito!🙂
nossaquesapao@lemmy.eco.br · 1 pts · 6d
Obrigado >.<
Auster@thebrainbin.org · 1 pts · 15d
@nossaquesapao@lemmy.eco.br inclusive sobre perda de acesso, vi por cima que parece que a Fundação Linux começou a tirar suporte a hardwares antigos do kernel Linux porque começaram a usar cegamente IA para testar por falhas, e a IA teria achado supostamente erros demais em funções que ninguém nunca reclamou. Com software legado que ainda dá para fazer rodar em sistemas atuais mas que depende de hardware específico, isso é um desastre.
FirmDistribution@lemmy.world · 2 pts · 16d
que bnt, um programa para fazer amigas 🥹